Ministro que cassou Cássio diz que não será candidato em 2014

Joaquim-Barbosa“Por enquanto não, não agora”. Com essas palavras, o atual presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e ministro que cassou Cássio em 2009 no TSE, Joaquim Barbosa, descartou de vez disputar as eleições em 2014, embora tenha deixado no ar a dúvida sobre seu ingresso na carreira política em pleitos futuros. Barbosa foi a personalidade de estreia do programa de entrevistas do jornalista Roberto D´Ávila no canal por assinatura GloboNews. O programa foi ao ar na noite do sábado (22).

Barbosa, que teria ainda mais 11 anos de STF antes da aposentadoria compulsória quando completar 70 anos, sugeriu que pode deixar a corte antes do tempo: “Pretendo ficar mais um tempinho aqui, tenho quase 11 anos, mas ainda vou decidir o que fazer nos próximos meses.” Dicado pelo presidente Lula em 2003, ele preside o Supremo até outubro próximo, quando deve ser substituído pelo ministro Ricardo Lewandowsky.

Relator da Ação Penal 470, o chamado Mensalão (que qualifica como um processo de sete anos de muito desgaste, tanto físico como mental), Barbosa ganhou notoriedade pela verve agressiva e pela dureza das decisões contra o réus, especialmente os do núcleo petista do processo. Seu afã em encarcerar José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares o alçaram à condição de algoz do petismo, gerando especulações e uma campanha para que deixasse a corte e disputasse, logo na estreia na política, a Presidência da República.

Mas, segundo o próprio disse a D´Ávila, a ideia não o comove: “Recebo inúmeras manifestações de carinho, pedidos de cidadãos comuns para que me lance nessa briga, mas não me emocionei ainda com a ideia”. Ele despista, alegando que a vida pública no Brasil tornou-se um “apedrejamento constante”, dizendo que prefere se manter alheio a quase tudo o que se passa na Praça dos Três Poderes.

Barbosa criticou a mídia pela ampla cobertura da AP-470 e negou que as penas tenham sido exageradas. “Examino as penas que foram aplicadas ao mensalão às penas aplicadas e chanceladas pelo Supremo a pessoas comuns. Convido aqueles que criticam o supremo por ter aplicado essas penas a fazer esse tipo de comparação. O supremo chancela em habeas corpus coisas muito, mais muito mais pesadas.”

Sem determinar qual modo seria o mais eficaz, Barbosa diz que o país ainda não encontrou os mecanismos, a forma correta e eficaz de combater a corrupção.

Em relação ao processo por racismo que move contra o jornalista Ricardo Noblat, de O Globo, Barbosa disse ser falta de honestidade intelectual dizer que o Brasil se livrou das marcas da escravidão. “Estão presentes nas coisas mais comezinhas. Basta dar uma volta aqui no Supremo ou qualquer repartição pública para ver a repartição dos papéis.”