Português quer provar que Einstein estava errado e medirá velocidade da luz

O físico português que desafiou Einstein imaginando que a velocidade da luz pode variar está mais próximo de testar se sua ideia radical está certa. João Magueijo celebra grandes avanços. O que era fruto da imaginação de um estudante rebelde virou uma previsão precisa, com o cálculo de um índice que pode ser colocado à prova. O recente estudo publicado na revista “Physical Review” golpeia o que parecia um inabalável pilar da física erguido por Albert Einstein, o de que a velocidade da luz é, e sempre foi, constante.

A imaginação foi o começo de tudo para Magueijo. Desde que foi descoberto o Big Bang, os físicos não conseguem explicar como o Universo chegou ao seu tamanho e estado atual. Imagine você que o Universo observável é do tamanho de uma sala, e que o Big Bang ocorre quando ligamos um aquecedor que está encostado na parede. O problema é que não teria dado tempo para que o ar quente (luz e energia) viajasse até todos os cantos da sala e se misturasse de forma homogênea. Mas e se a luz tivesse acelerado no primeiro arranque do cosmo? Foi isso que o físico pensou.

A ideia apresentada na década de 1990 significava contestar uma premissa que sustenta diversas teorias, como a da relatividade. Até então, todas as tentativas de explicação do cosmo nascente levaram em consideração a velocidade da luz como imutável.

Passados 20 anos, as propostas de Magueijo ganharam maturidade, na forma de previsões e construções de modelos matemáticos.

“A ideia de que a velocidade da luz poderia ser variável era radical quando proposto pela primeira vez, mas com uma previsão numérica, ela se torna algo que os físicos podem realmente testar. Se verdadeiro, isso significaria que as leis da natureza não foram sempre as mesmas que são hoje”

Para colocar a teoria à prova, seriam usadas imagens geradas por telescópios especiais que detectam a radiação cósmica de fundo em micro-ondas. Se imaginarmos os físicos que buscam decifrar o mistério do início do universo como arqueólogos, essa radiação pode ser comparada a uma espécie de fóssil da luz.

É possível ver índice ao qual Magueijo chegou bate com espectros dessa onda. O físico acredita que testes podem ser realizados a partir de 2022

Fonte: UOL