As 5 descobertas científicas mais importantes de 2016

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Na área científica, 2016 possivelmente será lembrado como o ano do anúncio da detecção direta das ondas gravitacionais. Concebidas em 1915 por Albert Einstein (1879-1955) em sua Teoria da Relatividade Geral, essas minúsculas distorções no espaço-tempo – aquilo que os físicos descrevem metaforicamente como o tecido do universo, o ambiente dinâmico onde todos os acontecimentos transcorrem – eram a única parte da teoria que ainda não havia sido confirmada pela ciência. Recebida com entusiasmo pela comunidade acadêmica internacional, as ondas gravitacionais devem inaugurar uma nova maneira de ver o cosmo – e a nós mesmos.

O ano teve ainda a descoberta do exoplaneta habitável mais próximo de nós e a constatação de que Lucy, a Australopithecos mais famosa da história, morreu ao cair de uma árvore, trazendo novas revelações sobre a evolução humana. Confira abaixo os 5 fatos científicos mais importantes de 2016:

1. O anúncio da deteção das ondas gravitacionais

Cem anos depois de previstas por Albert Einstein, as ondas gravitacionais foram, enfim, detectadas. Em fevereiro deste ano, cientistas anunciaram que conseguiram, pela primeira vez, captar essas minúsculas ondulações no espaço-tempo – aquilo que os físicos descrevem metaforicamente como o tecido do universo, o ambiente dinâmico onde todos os acontecimentos transcorrem –, a única parte da Teoria da Relatividade Geral que ainda não havia sido comprovada pela ciência. A confirmação do fenômeno é uma conquista histórica, buscada há anos pelos pesquisadores. Para detectar diretamente essas ondas, foi necessária uma colaboração de mais de 1.000 cientistas em universidades espalhadas pelos Estados Unidos e em outros 14 países – incluindo o Brasil. Os detectores, com braços em forma de “L” de cerca de quatro quilômetros de extensão, foram feitos para captar oscilações muito mais sutis que a luz – eles poderiam registrar distorções viajando no espaço com o tamanho de um milésimo do diâmetro de um núcleo atômico. Einstein previu que os objetos que se movimentam no Universo produzem ondulações no espaço-tempo e que estas se propagam pelo espaço. As ondas gravitacionais seriam essas distorções mínimas no campo gravitacional do Universo que transportam energia, uma espécie de “eco” dos eventos cósmicos. Para os especialistas, a detecção das ondas abre um tipo de “janela” para enxergar o univerno, inaugurando uma nova foram de fazer astronomia.

2. A revelação de que de Lucy morreu ao cair de uma árvore

Lucy, a Australopithecos mais famosa da história, pode ter morrido ao cair de uma árvore, anunciaram cientistas em agosto deste ano. Em estudo publicado na revista científica Nature, a equipe de pesquisadores estudou as faturas do ancestral humano e comparou-as com restos mortais de outros casos clínicos para descobrir como ela havia morrido – até então um mistério para os cientistas. Lucy viveu na África há 3,18 milhões de anos e seu fóssil foi descoberto em 1974 pelo professor Donald Johanson e o estudante Tom Gray, em Hadar, na Etiópia. A espécie é chamada de Australopithecus anamensis. Lucy era uma fêmea de pouco mais de um metro de estatura, que combinava traços humanos com características similares às do chimpanzé, e já caminhava ereta. Neste mês, outro grupo de cientistas descobriu que Lucy passava muito tempo em árvores, principalmente, à noite, para repousar e escapar de predadores, além de procurar alimentos. Em uma de suas sonecas, Lucy pode ter caído. Estudos sobre a vida e morte da fêmea podem trazer muitas informações sobre a sua espécie e a evolução humana – se Lucy morreu assim, os antropólogos podem chegar a uma série de conclusões. Por exemplo, que Australopithecus realmente se revezavam entre andar no chão e pular de árvore em árvore. O fato de Lucy ter sofrido o acidente seria uma indicação de que seu corpo estava cada vez menos adaptado à vida nas copas, algo determinante para a nossa evolução, visto que a agilidade como bípedes se mostrou fundamental para nos tornarmos melhores caçadores e para sobrevivermos em savanas.

3. A provável existência de um novo planeta no sistema solar

Segundo os cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech, na sigla em inglês), há “boas evidências” da existência de um “Planeta Nove” no sistema solar. De acordo com os pesquisadores, que anunciaram a hipótese para sua existência em janeiro de 2016, esse novo planeta teria uma massa de cerca de 10 vezes a da Terra (e 5.000 vezes a de Plutão) e levaria entre 10.000 e 20.000 anos para dar uma volta completa em torno do Sol. Sua localização estaria 20 vezes mais longe que Netuno, o oitavo planeta no sistema solar. Já da Terra, o Planeta Nove pode estar de 32 bilhões a 160 bilhões de quilômetros de distância. Por ser, possivelmente, o planeta mais distante do Sol, ele planeta jamais foi visto por qualquer telescópio – a possibilidade de sua existência foi feita com base em cálculos matemáticos e modelagem computadorizada. O novo membro do sistema solar também pode ser responsável por um fenômeno que, até o momento, era um mistério espacial: a inclinação de seis graus do sistema solar. Em linhas gerais, os oito planetas orbitam o Sol como se estivessem em um mesmo plano. Esse plano, contudo, é inclinado em relação ao Sol. Se pudéssemos ver de fora, a impressão seria de que a estrela (e não o plano) estivesse inclinada. De acordo com os pesquisadores, a existência do Planeta Nove seria uma razão plausível para a inclinação – e mais uma evidência de sua provável existência.

4. A descoberta de “Proxima b”

Em agosto de 2016, cientistas anunciaram ter descoberto o planeta habitável fora do sistema solar mais próximo de nós, encerrando uma busca de anos. O exoplaneta “Proxima b”, como foi batizado, orbita Proxima Centauri, a estrela mais perto do Sol, e tem condições de temperatura parecidas com as da Terra, o que pode permitir a existência de água líquida em sua superfície — condição essencial para o surgimento de vida. A 4,2 anos-luz (cada ano-luz equivale a 9,46 trilhões de quilômetros) de distância de nós, o novo planeta é possivelmente rochoso e tem a massa 1,3 vez maior que a da Terra. O estudo com a descrição do planeta, publicado na revista Nature, mostra que o novo planeta completa uma volta em torno de sua estrela a cada 11,2 dias terrestres. A descoberta é resultado do trabalho de dezesseis anos de uma equipe de mais de trinta cientistas que trabalharam com as observações feitas pelos telescópios e outros instrumentos do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês). “Proxima b provavelmente será o primeiro exoplaneta visitado por uma sonda feita por seres humanos”, disse Julien Morin, coautor do estudo e astrofísico da Universidade de Montpellier, na França.

5. O paradeiro do robô Philae

Perdido em uma fenda escura, coberta por gelo e rochas do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Era lá que estava o robô Philae, segundo as imagens captadas pela sonda espacial Rosetta, em setembro 2016. Ao tocar a superfície, no pouso histórico sobre o cometa, em 12 de novembro de 2014, Philae quicou duas vezes e parou longe do ponto escolhido pelos cientistas. O imprevisto fez com que o robô ficasse perdido em uma zona com pouca exposição à luz solar, alimento de suas baterias,  e parasse de enviar dados à Terra. Até setembro, a sonda Rosetta, que orbitava o cometa, ainda não havia conseguido localizá-lo. Em 27 de julho deste ano, os cientistas haviam decidido cortar as comunicações com o módulo, preparando o fim da missão, que aconteceu em 30 de setembro, com um novo pouso sobre o cometa, desta vez, da sonda Rosetta. A meta da missão Rosetta era estudar a superfície do cometa 67P, buscando a água e o material orgânico presente nesse corpo celeste que, de acordo com algumas teorias, podem ter sido responsáveis por trazer a água ou até mesmo os componentes orgânicos necessários ao surgimento da vida para a Terra.

Fonte: Veja