O perigo de desistir da política
O voto não é perfeito, assim como nenhum ser humano é perfeito.

*Cristovão Pinheiro
Muita gente perdeu a confiança na política. E existem motivos para isso. Escândalos, promessas vazias, disputas de poder e interesses pessoais fizeram crescer a sensação de que o voto já não muda quase nada. O problema é que, quando os mais conscientes desistem de participar, o espaço raramente fica vazio.
O voto não é perfeito, assim como nenhum ser humano é perfeito. As escolhas políticas quase nunca acontecem apenas pela razão. Emoções, medos, interesses e paixões também influenciam as decisões das pessoas. Mas reconhecer as imperfeições do voto não significa abandonar a participação política. Pelo contrário. Significa entender que a democracia depende justamente da presença crítica da população.
Muitos direitos que hoje parecem normais foram conquistados através da participação popular. O direito ao voto, a liberdade de expressão, direitos trabalhistas e até conquistas sociais nasceram de pessoas que decidiram participar, pressionar e ocupar espaços. Quando a sociedade deixa de participar, outros grupos ocupam esse espaço com muito mais organização e interesse.
Democracia nunca foi sinônimo de perfeição. Talvez sua maior força esteja exatamente na possibilidade de corrigir caminhos ao longo do tempo. Desistir completamente da política não elimina os problemas. Apenas reduz a capacidade de enfrentá-los. Porque, no fim, quando as pessoas conscientes se afastam da política, alguém sempre ocupa o lugar deixado por elas.
*Cristóvão Pinheiro é estrategista político e atua em projetos ligados à comunicação, ciência e inovação, com experiência em campanhas eleitorais, iniciativas institucionais e análise estratégica.




